10. CULTURA 13.3.13

1. A TERRA VIRGEM DE SEBASTIO SALGADO
2. ADORVEIS TRAIDORAS
3. MULHERES RICAS E SEM NOO
4. EM CARTAZ  CINEMA UMA REALIDADE SANGRENTA
5. EM CARTAZ  DVD - FULLER, O MALDITO
6. EM CARTAZ  LIVROS - TEMORES DA CLASSE MDIA
7. EM CARTAZ  MSICA - ROQUEIRO NA MATURIDADE
8. EM CARTAZ  TEATRO - COMO CONQUISTAR O CHEFE
9. EM CARTAZ  AGENDA - VEGAS/ISSO  O QUE ELA PENSA/BUSCA-ME
10. ARTES VISUAIS - NATUREZA EM SUSPENSO
11. ARTES VISUAIS - ARTE E MODA: ENCONTRO DE GRIFES

1. A TERRA VIRGEM DE SEBASTIO SALGADO
Isto revela imagens inditas que o fotgrafo registrou em regies intocadas e foram reunidas em novo livro e exposio
Tmara Menezes

 SOBREVIVNCIA - ndios waura no lago Piulaga, no Alto Xingu
 
Numa poca marcada pela produo rpida e incessante de imagens, o brasileiro Sebastio Salgado adota uma atitude oposta. Ele no est em busca de assuntos fceis: vai atrs do que nunca foi visto. Tal obstinao demanda tempo, mas traz grandes recompensas. Sem se preocupar com prazos e agendas, Salgado passou oito anos viajando por lugares remotos do planeta para mostrar que, apesar da ameaa sobre a vida na Terra, ainda existem regies alheias  noo de progresso. Cenrios de natureza intocada, como os mares gelados da Patagnia argentina onde vivem as baleias-francas, e sociedades que sobrevivem intactas em seus costumes ancestrais, a exemplo do povo mentawi, da Indonsia, aparecem nas 250 fotografias em preto e branco de seu novo livro Gnesis (Taschen). A aguardada publicao ser lanada na Inglaterra ainda este ms, precedendo a exposio de mesmo nome, a ser aberta em abril no Museu de Histria Natural, em Londres. ISTO revela imagens inditas que estaro no livro e na mostra, que chega ao Brasil em maio, resultado de 32 viagens a diferentes pases. Esses so os ltimos lugares na Terra que nos permitem entender nossas origens como espcie, afirma o fotgrafo, para quem a noo de civilizao separada da natureza se tornou impensvel.

Baleia-franca na Patagnia argentina: espera pela melhor luz
 
Para registrar esses verdadeiros santurios, regies que, segundo a Organizao das Naes Unidas (ONU), ainda correspondem a 46% do planeta, Salgado adotou a posio de aventureiro. Viajou com uma equipe mnima e sempre acompanhado de um guia que dominava a lngua ou o dialeto local. Caminhou centenas de quilmetros, encarou desertos e geleiras e criou estdios usando tecidos e folhas. Na hora de fazer as fotos, o que mandava era a pacincia de quem sabe que uma boa imagem no vem de graa. Sem usar flash, ele chegava a esperar uma semana pela luz ideal. Foi assim que conseguiu as fantsticas tonalidades de cinza na documentao do povo Nenet, habitantes da Sibria, no norte da Rssia, que sobrevive h sculos da pesca em geral e da caa de renas. A mesma espera pelo melhor momento se deu ao retratar os ndios waura, que habitam o Alto Xingu. Embaixador da Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a Cultura (Unesco), e criador do Instituto Terra, que trabalha com conservao da biodiversidade, desenvolvimento sustentvel e educao, Salgado no pretende que essas fotos apenas embelezem estantes ou mesas de centro: elas servem como um alerta. O mundo est em perigo, tanto a natureza quanto a humanidade. No entanto, esse grito de alarme vem sendo to repetido, que agora passou a ser ignorado, afirmou ele em artigo recente no jornal ingls The Guardian.

PROJETO - O livro  resultado de um trabalho de 8 anos e 32 viagens
 
Especialmente revelador nesse sentido  o retrato do hbitat natural das baleias-francas, na Patagnia. Dois sculos atrs, havia 300 mil desses animais no lugar. Milhares foram dizimados pela caa e hoje no chegam a mil exemplares e, mesmo assim, esto ameaados pelo trfego de embarcaes na regio de Puerto Pirmides. O registro da resistncia de animais, culturas e paisagens testemunha o delicado equilbrio entre o ser humano e o ambiente em que vive. Denncias como essa aparecem nas imagens belas e dramticas que caracterizam a obra de Salgado.

"Esses so os ltimos lugares na Terra que nos permitem entender nossas origens como espcie" - Sebastio Salgado, fotgrafo


2. ADORVEIS TRAIDORAS
Chegam aos cinemas novos filmes retratando personagens da literatura como Anna Karenina e Emma Bovary. Em busca da felicidade, elas enfrentaram a moral do sculo XIX e permanecem muito atuais 
Aina Pinto

AMOR PROIBIDO - Aaron Johnson e Keira Knightley em "Anna Karenina": paixo sob o clima de decadncia do czarismo russo
 
Ao relacionar sexualidade e culpa a escritora irlandesa Anne Enright escreveu que o amor  a punio para o desejo. Essa definio poderia servir de epgrafe para Anna Karenina, o romance clssico de Liev Tolsti que agora ganha mais uma adaptao para o cinema, com estreia na sexta-feira 15. Cairia tambm como uma luva para a trajetria de Emma Bovary, a herona criada por Gustave Flaubert, igualmente revivida em produo indita prevista para chegar s telas no segundo semestre. Protagonistas e vtimas da nsia pelo prazer, tais personagens do passado exercem ainda um grande fascnio, e no apenas porque so grandes criaes literrias: elas sintetizam dilemas que ainda incomodam mulheres, homens e, por extenso, a sociedade atual.
 
Trazendo as belas feies de Keira Knightley, Anna  casada com um aristocrata (Jude Law), pertencente  nobreza russa do sculo XIX. Ela se apaixona por um conde (Aaron Johnson) e, ao ter o divrcio recusado pelo marido, foge com o amante, deixando para trs o filho. Moralmente condenada, no encontra apoio no novo parceiro. No  diferente o que acontece com Emma Bovary, agora interpretada por Mia Wasiskowska. Seus casos extraconjugais, mesmo fictcios, causaram alvoroo no pblico em 1857 e levou Flaubert ao banco de rus. Fruto da imaginao masculina, essas mulheres infiis no tinham apenas um comportamento escandaloso  suas posturas diante da opresso das classes sociais s quais estavam inseridas eram um sintoma do colapso poltico e social.

FRUFRUS - Keira Knightley no papel de "Anna Karenina": Oscar de melhor figurino
 
Anna Karenina viveu no estertor da Rssia czarista e o seu desejo por liberdade terminou em autopunio ao se atirar em um trem em movimento. Ela  o maior smbolo possvel de nosso poder de amar. Mais do que uma personagem,  um princpio, uma sociedade, uma civilizao, escreveu o crtico literrio Alfred Kazin ao analisar o romance de Tolsti, adaptado agora pelo dramaturgo Tom Stoppard, que transps a ao para o interior de um teatro. Destino igualmente trgico teve Emma Bovary, que tomou cicuta para pr fim  sua busca por prazer e amor.  mais um exemplo de que no so apenas os frufrus e espartilhos que atraem nessas histrias, apesar de Anna Karenina ter ganhado o Oscar de melhor figurino. Segundo o psicanalista Jorge Forbes, esses enredos trgicos fascinam por tratar do amor em um contexto social. Anna rompe com a acomodao aristocrtica; Emma, com a burguesa. So duas faces da mesma moeda, ir alm das convenes, questo muito importante na ps-modernidade. Hoje, no Ocidente, no se morre mais por grandes causas como ptria, revoluo ou religio, mas por amor, diz Forbes.


3. MULHERES RICAS E SEM NOO
Tendo a ostentao como regra e a futilidade como estilo, o reality show "Mulheres Ricas" ter uma terceira temporada e  sucesso pelo que nunca se props a ser: um programa humorstico
 Aina Pinto

Na ltima segunda-feira, algumas integrantes do  programa se reuniram para assistir ao penltimo captulo da srie. Confira, em vdeo, como foi esse encontro cheio de alfinetadas e revelaes:
 
A cantora Aeileen Kunkel, 21 anos, trajava um tubinho prateado que deixava mostrar as suas pernas torneadas quando chegou  luxuosa casa da atriz Andra Nbrega. No sabia que estava a segundos de ser a principal protagonista de um constrangimento transmitido pela tev em horrio nobre. A festa acontecia em comemorao ao aniversrio de Andra, mas o nome de Aeileen no estava entre os seletos convidados. Sua expresso de espanto s se suavizou, quando a prpria anfitri foi receb-la. Lembra aquela menina que andou falando que eu era velha?  ela, disse Andra, que se dirigiu at a porta, falou o que queria  cantora e, vitoriosa, a deixou entrar. Para comemorar o que chamou de vingana, tomou banho com uma garrafa de cinco litros de champanhe e, na sequncia, pulou na piscina. Esse  o tom do reality show Mulheres Ricas, da Rede Bandeirantes, no qual Andra, Aieleen e mais cinco socialites e emergentes do Rio de Janeiro e de So Paulo trocam amabilidades, no economizam alfinetadas e praticam pequenas desforras com picardia calculada. Em razo do clima de barraco chique e das atitudes completamente sem noo, o programa criado para exibir o exclusivo mundo do luxo se tornou uma comdia de roteiro livre e veneno solto. Provoca boas gargalhadas, faz sucesso e, por isso, j est sendo negociada a sua terceira temporada.

AMIGAS E RIVAIS - Cozete, Aeileen, Val, Narcisa, Mariana e Andra: para elas, no h problema em alardear um mundo de luxo, desde que ele faa parte do cotidiano
 
O clima de animosidade preside tambm os encontros entre a socialite Val Marchiori e a empresria Cozete Gomes. Em outra festa regada a champanhe e canaps, Val destilou o seguinte veneno ao servir a convidada: Caviar, Cozete. Cozete, caviar. A alfinetada insinuava que a empresria nem sequer tinha ideia dessa fina e cara iguaria. A vingana veio rpido como um jatinho. Cozete deu o troco em Val durante um passeio de barco em Angra dos Reis: Mulher rica no aluga, tem. O avio e a casa dela so alugados. Que rica  essa? As brigas e disputas acontecem, naturalmente, em cenrios de festas, jantares, e outras situaes de ostentao. No raro, envolvem extravagncias, sempre mostradas como absolutamente normais porque, segundo essas mulheres ricas e sem noo,  normal se comportar assim na classe social  qual elas pertencem. Se posso ir a Ibiza e me divertir com meus amigos em um iate, por que no?
 
A viagem  cara, custa R$ 500 mil, mas est dentro do meu padro, diz a atriz Mariana Mesquita, mulher do ex-jogador de futebol Luizo. 
Mesmo na festa de confraternizao do programa, s segundas-feiras, quando as amigas se renem para assistir ao reality show, o tom permanece. Enquanto bebericam champanhe, a bebida preferida, as fofocas borbulham. Na segunda-feira 4, Isto acompanhou um desses encontros. No jantar oferecido pelo arquiteto Leo Shehtman, o alvo das ms lnguas eram duas colegas ausentes: Val e Regina Manssur, advogada que defendeu o ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello. Val est sendo processada por Regina. Fazer chacota, injuriar-me, debochar da minha pessoa com preconceito relativo  idade, zombar da minha sade, declarar que eu estou no fim da vida e dizer que minha famlia  quatrocentona decadente ultrapassou os limites do razovel, e eu no poderia suportar, disse a advogada em um comunicado  imprensa, divulgado no jantar japons para 60 convidados e 25 empregados de Shehtman.

Mais comedida nas alfinetadas, a atriz Mariana Mesquita explica que a competio e a troca de farpas entre as companheiras podem ser agressivas, mas fazem parte do jogo:  mentira que os dilogos so escritos. Antes de comearmos a gravar, temos apenas uma ideia do que vai acontecer. Ciente da encenao, filosofa:  uma novela de improviso. De fato, o disparate de situaes pode reunir, numa mesma conversa, a compra de um helicptero ou avio particular com o conselho mais comum entre elas, feito de amiga para amiga: Voc precisa de uma cirurgia plstica, querida. Ele foi dado a Aeileen Kunkel por Regina Manssur, que a levou a uma clnica renomada para dar um jeito no nariz e nos seios. A cantora preferia alguns mililitros de silicone. Sou jovem. E no vou mudar o nariz, gosto dele grande assim. Cometeu o maior pecado para as mulheres ricas: a economia.


4. EM CARTAZ  CINEMA UMA REALIDADE SANGRENTA
por Ivan Claudio

Entre os diretores mais discutidos do cinema asitico, o sul-coreano Kim Ki-duk criou polmica no mais recente Festival de Veneza ao narrar uma perturbadora fbula sobre a realidade social de seu pas. Em Piet, que estreia na sexta-feira 15 aps receber o Leo de Ouro na mostra italiana, Ki-duk expe a crueldade com que um agiota cobra as dvidas dos trabalhadores que recorrem aos seus prstimos: ele simplesmente mutila os inadimplentes usando para isso as mquinas que manejam nas oficinas, recebendo assim o dinheiro do seguro. A chegada de uma mulher, que se apresenta como a me que ele no conhecia, faz com que a agressividade se volte contra a sua pessoa, num ciclo interminvel de violncia.
 
+5 Revelaes do cinema asitico
Hong Sang-soo 
Sul-coreano. Seu filme mais recente, Hahaha, ganhou o prmio Um Certo Olhar em Cannes
 
Jia Zhang-Ke (FOTO)
 Chins. Trata das recentes mudanas na realidade social de seu pas, como no premiadssimo Em Busca da Vida
 
Apichatpong Weerasethakul
 Tailands. Recebeu a Palma de Ouro em Cannes com o inventivo Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas
 
Brillante Mendoza
 Filipino. Seus trabalhos mais famosos so Serbis, Lola, e Em Nome de Deus, com Isabelle Huppert
 
Wong Kar-Wai
 Chins. Filmou nos EUA Um Beijo Roubado, com a cantora Norah Jones como protagonista  


5. EM CARTAZ  DVD - FULLER, O MALDITO
por Ivan Claudio
Ex-reprter policial, o diretor americano Samuel Fuller estendeu ao cinema a sua compreenso do mundo do crime em filmes hoje considerados clssicos, mas que em sua poca no tiveram o devido reconhecimento. Exemplo disso  o thriller A Lei dos Marginais, de 1961, sobre um garoto que v o pai ser assassinado e jura vingana. O ajuste de contas se d duas dcadas depois e o coloca diante da alta cpula da mfia. Conhecido por seus enredos controversos e violentos, Fuller no era querido em Hollywood e teve de emigrar para a Europa para continuar produzindo. Sua obra, que influenciou de Jean-Luc Godard a Quentin Tarantino,  um exemplo de independncia.


6. EM CARTAZ  LIVROS - TEMORES DA CLASSE MDIA 
por Ivan Claudio
Autor de timos romances, o escritor ingls Julian Barnes, um dos mais criativos da atualidade, exercita no livro de contos Pulso (Rocco) a capacidade de lidar com temas dspares, como a vida privada e os fatos histricos, em 14 narrativas curtas. Exemplo de sua originalidade nesse formato so os quatro contos protagonizados pelos mesmos personagens: um casal que recebe amigos e todos discutem durante o jantar  de problemas de trnsito  adoo do euro, retratando os temores da classe mdia britnica.


7. EM CARTAZ  MSICA - ROQUEIRO NA MATURIDADE
por Ivan Claudio

Em 45 anos de carreira, o roqueiro ingls David Bowie criou uma frmula para se manter em evidncia: reinventar-se incessantemente, inclusive no visual, receita que at Lady Gaga coloca em prtica. H uma dcada sem entrar em estdios, ele retorna com excelente CD no qual no assume uma nova personalidade como era de esperar: recicla todas aquelas que viveu no passado. Produzido por Tony Visconti, seu parceiro em alguns dos melhores trabalhos nos anos 1970, The Next Day revisita o som que Bowie fez nesse perodo em canes marcadas por guitarras e teclados. As letras, contudo, tratam da realidade do homem de 66 anos que ele se tornou em janeiro.


8. EM CARTAZ  TEATRO - COMO CONQUISTAR O CHEFE
por Ivan Claudio
No formato de stira, a onda dos manuais de autoajuda para ser bem-sucedido na profisso chega aos palcos com o musical Como Vencer na Vida Sem Fazer Fora (Teatro Oi Casa Grande, Rio de Janeiro, a partir do sbado 9). Na histria, adaptada do espetculo de sucesso na Broadway, um limpador de janelas vivido por Gregrio Duvivier consegue se transformar em empresrio de sucesso usando alguns truques, muita lbia e agradando ao chefe interpretado por Luiz Fernando Guimares. Atores estreantes em musicais, Duvivier e Guimares entram com a habilidade de criar humor com situaes cotidianas e a experiente dupla de diretores formada por Charles Meller e Claudio Botelho garante a segura conduo da trama.


9. EM CARTAZ  AGENDA - VEGAS/ISSO  O QUE ELA PENSA/BUSCA-ME
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

VEGAS
 (Canal Space, a partir de 12/3, s 21h) 
O confronto entre um detetive e a mfia que administra os cassinos em Chicago. Com Dennis Quaid e Michael Chiklis
 
ISSO  O QUE ELA PENSA
 (CCBB, Rio de Janeiro, at 31/3) 
Pea do britnico Alan Ayckbourn sobre uma dona de casa (Denise Weinberg) que passa a conviver com uma famlia imaginria aps sofrer uma queda.
 
BUSCA-ME
 (Galeria Berenice Arvani, So Paulo, a partir da tera-feira 12) 
O fotgrafo paulista Boris Kossoy expe 40 fotos inditas em sua primeira individual em galerias


10. ARTES VISUAIS - NATUREZA EM SUSPENSO
Instalao de Carlito Carvalhosa e fotografias de Mauro Restiffe inauguram espao monumental do anexo do novo prdio do MAC-USP
por Paula Alzugaray

Sala de espera  Carlito Carvalhosa/ Museu de Arte Contempornea de So Paulo (MAC-USP)/ de 9/3 a setembro

CORREDEIRAS - Instalao de Carvalhosa evoca florestas de postes de luz
 
Sites especializados apontam que o corte do eucalipto para industrializao ocorre normalmente aos 7 anos de idade da rvore. Depois, as rvores que so transformadas em postes de iluminao pblica tm um tempo de vida til como mobilirio urbano que pode superar os 25 ou 30 anos. Aps terem esgotado seu ciclo tanto como floresta quanto como mobilirio, cerca de 70 desses troncos de rvore foram resgatados do lixo pelo artista Carlito Carvalhosa, para integrar um novo ciclo e um novo uso na instalao Sala de Espera.
 
Com esse trabalho, o artista busca provocar uma reflexo sobre como as coisas se transformam quando damos um nome a elas. Dentro desse raciocnio proposto pelo artista, vislumbramos a histria desses objetos que ocupam  em equilbrio tnue  o anexo do novo edifcio do Museu de Arte Contempornea de So Paulo (MAC-USP). Ao atravess-lo, descobrimos sinais da vida efmera das florestas de eucaliptos e testemunhamos os vestgios de sua converso em cultura. Mas e agora, quando essa matria j no  rvore, nem poste? A arte  um lugar onde os objetos perdem sua utilidade, portanto  um no lugar, sugere Carvalhosa.
 
 nessa condio de matria em suspenso que os 70 troncos se distribuem nos dois mil metros quadrados do espao monumental projetado por Oscar Niemeyer. Pensei em enfrentar este lugar trazendo aqui para dentro uma outra natureza, continua ele. Gosto de utilizar materiais que so comuns, que nos acompanham no nosso dia a dia. Alm da memria dos postes e das rvores, Carvalhosa nos apresenta em Sala de Espera a familiaridade dramtica das paisagens urbanas castigadas pelas chuvas de vero. A memria dos alagamentos tambm  evocada no mezanino do museu, onde Mauro Restiffe inaugura a mostra Obra, com fotografias do processo de reforma do MAC-USP.


11. ARTES VISUAIS - ARTE E MODA: ENCONTRO DE GRIFES
MOVE!/ Sesc Belenzinho, SP/ de 9 a 19/3
por Paula Alzugaray

Quando grifes do calibre da revista Visionaire, do museu PS1, e de criadores como Alexandre Herchcovitch e Marc Jacobs se juntam, algo de expressivo deve necessariamente acontecer. De fato, quando em outubro de 2010, Cecilia Dean, cofundadora da Visionaire, e David Colman, jornalista de arte e moda colaborador do The New York Times, realizaram um evento aproximando moda, artes visuais e performance no PS1, de Nova York, surgiu ali a semente de um projeto inovador, de longo prazo e longo alcance que agora chega ao Brasil. Acolhida em So Paulo pelo Sesc e o Senac, a grife MOVE! encontra na cidade terreno frtil para sua programao original, fruto de parcerias entre artistas e estilistas.

ARTE FASHION - Em "Splash", o pblico recebe um banho de tinta, vestindo alta-costura
 
O palco para esse grande happening  o Sesc Belenzinho, instalado em um edifcio que hospedou uma antiga fbrica de tecidos. Logo na entrada, o visitante encontrar pessoas vestidas com cores vibrantes e envolvidas em uma ao performtica denominada The Big Picture (O Grande Retrato), parceria entre o estilista Dudu Bertholini e o artista Ricardo de Castro. A dupla convida os frequentadores do local a usarem os tpicos caftans criados pelo estilista da Non, demarcando de maneira ldica os espaos da praa com adesivos em formas e cores diferentes, idealizadas por Castro. O resultado final ser um mosaico vivo, diz Antonio Haslauer, consultor de moda brasileiro radicado em Nova York e diretor-geral da verso brasileira do MOVE!.
 
Participam do evento oito duplas e um trio. Ganharam reedio do projeto nova-iorquino duas performances. Na instalao Looks, de Marc Jacobs e Rob Pruitt, o pblico participa virtualmente de um desfile de Marc Jacobs; e, na performance Splash, da designer Cynthia Rowley e do artista suo Olaf Breuning, os visitantes vestem modelos criados por Rowley e ganham um banho de tinta de Breuning. Nossa escolha se deu a partir de nomes que j trabalhavam com processos criativos interdisciplinares, diz Haslauer.
 
A mostra tambm tem como objetivo desconstruir as barreiras existentes entre o pblico e as cadeias de produo do mundo fashion. Em um setor cuja a circulao cada vez mais se volta para a escala comercial e os eventos especializados como as grandes semanas de moda  Paris Fashion Week, New York Fashion Week e at mesmo a So Paulo Fashion Week  so de acesso limitado ao grande pblico, propostas como MOVE!, de acesso gratuito e nas quais a participao  essencial, se fazem necessrias para democratizar a moda e seus cdigos.

ROUPA VIVA - Em "P de Jeans", da Ellus e Peter Coffin, rvores sero vestidas com calas
 
Talvez o trabalho mais emblemtico dessa proposta seja a ao Pose, do artista Ryan McNamara e dos estilistas Diane von Frstenberg e Oskar Metsavaht, da Osklen. O trio prope inverter o fluxo da moda por meio do qual os prprios participantes sero transformados em estampas ao serem fotografados em roupas e poses previamente selecionadas pelos estilistas.
 
Colaborou Nina Gazire

